"Sua vida era, diante do inexplicável, tal qual um monte de Cacos Avulsos"
(Clarice Lispector)
Não acredite em nada do que ler.
É tudo não-verdade, mas nada é mentira.
Criancinhas, vamos falar novamente acerca da crucial importância do discernimento do que é vida e do que é literatura. Essa página na internet não foi criada com o intuito de se tornar um diário virtual, mas sim para ser um espaço em que posso divulgar meus textos. Sendo assim, os pensamentos e fatos aqui descritos não são reais, embora muitas vezes baseados em vivências da personificação da precocidade aqui.
Estamos devidamente entendidos? Então fique a vontade e prossiga por esses Cacos Avulsos.
Frsutração s.f. Estado do indivíduo que, por não ter satisfeito um desejo ou tendência fundamental, se sente recalcado.
Falta um mês para o meu aniversário de dezoito anos. Eu tinha planos: concluir o ensino médio, passar no Vestibular, fazer Ciências Socioambientais na UFMG ou Bacharelado em Humanidades na UFVJM, mas isso só para o segundo semestre, porque no primeiro eu ia viajar. Ia fazer um mochilão até o sul do país, ou em Minas Gerais mesmo. Meus planos modificaram-se um pouco devido ao curso que faço: primeiro semestre de 2010 sinônimo de estágio, mas antes Festival de Cinema em Tiradentes. Mas o segundo semestre intacto. É, falta um mês para o meu aniversário, conclui o ensino médio, não passei na UFMG, e a prova da outra universidade é amanhã. Nada de festival de cinema, não vou viajar no segundo semestre porque cursinho pré-vestibular me espera, e o melhor de todos: acabo de perceber que eu sequer tenho carteira de trabalho.
Sensação de impotência dos infernos, de estar seguindo a minha vida sem controlá-la, sem fazer o que eu quero. Meus planos foram por água a baixo e eu não faço ideia do que farei ano que vem. Ano que vem! Não sei o que farei daqui a menos de um mês... F-R-U-S-T-R-A-Ç-Ã-O
domingo, 29 de novembro de 2009
Bem mais do que eu imaginei e bem mais do que eu gostaria de admitir, estou ansiosa e com medo para @#$%#@&$! O motivo? VESTIBULAR. O jeito é fazer como o rapazinho disse: atacar a prova, e não deixar que ela me ataque. Ai deus... ----
Não que várias pessoas leem o blog, mas sinto que devo um mínimo de satisfação. Ando afastada por falta de tempo, pessoas. Correria sem fim. Mas juro que daqui a pouco volto.
A S.O.S Mata Atlântica criou a campanha "Xixi no banho que, assim como o nome indica, consiste em orientar a população brasileira a fazer xixi enquanto se está tomando banho para diminuir a quantidade de água gasta desnecessariamente com descargas. A ideia é até interessante, uma vez que cada descarga utiliza 12L de água e, se cada brasileiro deixasse de dar uma descarga por dia, seriam economizados 4.380 mil litros de água por ano. O site foi muito bem elaborado, assim como a propaganda televisiva, já que ambos atraem a atenção de adultos e principalmente das crianças (oi, futuro!). Tudo bem, mudanças vem devagar, e 12L por dia já é um início e tanto, principalmente se levar em consideração que a água usada na descarga é a mesma das torneiras, ou seja, ela também é clorada e fluoretada, o que dá um gasto financeiro danado. Entretanto, pelo menos na minha casa, se alguém urinar no boxe, minha mãe -que lava o banheiro- mata o infeliz e aii dele se disser que viu na propaganda para fazer isso. Convenhamos, xixi não tem um odor agradável, e que nojiinho pisar nele, né? A SOS diz que a ideia de fazer xixi no banho é justamente porque a água do chuveiro vai lavar a região, mas não boto muita fé e é bem capaz de a minha mãe mandar eu limpar com a língua. Sendo assim, a fim de tentar colaborar com a economia de água mas me manter viva, não dou descarga quando faço xixi. Antes que pensem "ecaaa, nojinho disso também", explico: tomo galões de água por dia, então a urina tem uma coloração bem fraquinha, além de ter cheiro praticamente nulo (dá-lhe pinhosol). Mas calma, rebeci uma ótima educação, somente faço isso na minha casa; na casa de amigos ou em ambientes de uso coletivo dou a descarga direitinho hein. E outra coisa, a primeira urina do dia tem que ir por água a baixo, pois ela é mais "forte" que a do restante do dia, e quando estou naqueeeeles dias nenhum xixi escapa. Então se você não quer fazer xixi no banho ou não gostou muito da minha ideia e ainda assim quer se juntar a população minimamente conscientizada e sensibilizada quanto aos impactos ambientais não se desespere, há alternativas. Por exemplo, algo bem banal e prático é só fechar um pouco o registro da descarga (geralmente fica logo acima do vaso) ou trocar o vaso sanitário por um daqueles que tem uma espécie de caixa d'água na parte de trás. Há ainda métodos para captar a água da chuva e utilizá-la nas descargas, porém isso demanda um pouco mais de dinheiro e funciona mais em casas do que em edifícios. Colaborar com a preservação do meio ambiente é obrigação de todos, pois o mundo não é nosso. Utilizar os recursos naturais é inalienável a sociedade contemporânea, porém não é preciso acabar com todo o mundo para satisfazer desejos supérfluos. Fazer xixi no banho, não dar descarga e trocar o vaso são ações pequenas mas que têm consequências benéficas. Dessa forma, não é necessário ser um ambientalista extremo, basta fazer a sua parte, por menor que seja. E VAI PLANEEETA!
----
Para quem não sabe, faço mais da vida além de ter um namoradinho diferente por mês e vir aqui no blog chorar as pitangas quando dá errado, hehe.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
Sabe aqueles dias em que somente se quer colocar uma boa música para tocar e dormir embalado por aquele ritmo? Hoje minha vontade é essa. Aliás, desde que minhas horas de sono caíram de 8h horas e meia para 6h meu anseio constante é me encontrar com o travesseiro. Estou cansada, mundo, me dê um tempo para descansar.
De tudo que é nego torto Do mangue e do cais do porto Ela já foi namorada O seu corpo é dos errantes Dos cegos, dos retirantes É de quem não tem mais nada Dá-se assim desde menina Na garagem, na cantina Atrás do tanque, no mato É a rainha dos detentos Das loucas, dos lazarentos Dos moleques do internato E também vai amiúde Co'os velhinhos sem saúde E as viúvas sem porvir Ela é um poço de bondade E é por isso que a cidade Vive sempre a repetir Joga pedra na Geni Joga pedra na Geni Ela é feita pra apanhar Ela é boa de cuspir Ela dá pra qualquer um Maldita Geni
Um dia surgiu, brilhante Entre as nuvens, flutuante Um enorme zepelim Pairou sobre os edifícios Abriu dois mil orifícios Com dois mil canhões assim A cidade apavorada Se quedou paralisada Pronta pra virar geleia Mas do zepelim gigante Desceu o seu comandante Dizendo - Mudei de ideia - Quando vi nesta cidade - Tanto horror e iniquidade - Resolvi tudo explodir - Mas posso evitar o drama - Se aquela formosa dama - Esta noite me servir
Essa dama era Geni Mas não pode ser Geni Ela é feita pra apanhar Ela é boa de cuspir Ela dá pra qualquer um Maldita Geni
Mas de fato, logo ela Tão coitada e tão singela Cativara o forasteiro O guerreiro tão vistoso Tão temido e poderoso Era dela, prisioneiro Acontece que a donzela* - e isso era segredo dela Também tinha seus caprichos E a deitar com homem tão nobre Tão cheirando a brilho e a cobre Preferia amar com os bichos Ao ouvir tal heresia A cidade em romaria Foi beijar a sua mão O prefeito de joelhos O bispo de olhos vermelhos E o banqueiro com um milhão Vai com ele, vai Geni Vai com ele, vai Geni Você pode nos salvar Você vai nos redimir Você dá pra qualquer um Bendita Geni
Foram tantos os pedidos Tão sinceros, tão sentidos Que ela dominou seu asco Nessa noite lancinante Entregou-se a tal amante Como quem dá-se ao carrasco Ele fez tanta sujeira Lambuzou-se a noite inteira Até ficar saciado E nem bem amanhecia Partiu numa nuvem fria Com seu zepelim prateado Num suspiro aliviado Ela se virou de lado E tentou até sorrir Mas logo raiou o dia E a cidade em cantoria Não deixou ela dormir Joga pedra na Geni Joga bosta na Geni Ela é feita pra apanhar Ela é boa de cuspir Ela dá pra qualquer um Maldita Geni
Muito prazer, eu sou você amanhã, só não me apresentei antes por medo de te desmotivar. ²
Nunca fui muito do tipo de pessoa que pensa sobre um futuro a longo prazo. Não sei onde estarei daqui a dez anos nem planejo saber. Não penso em como serei, quais serão as minhas manias, se vou ser (continuar, na verdade) gorda ou magra, ou no que vou trabalhar. Até hoje, alguns dias antes de completar meus dezessete anos (viva a mocidade), não queria pensar nisso. Preferia ir para outros assuntos que não o Futuro. Pensava até que talvez nem passasse dos dezoitos anos. Porém, começa a me incomodar essa falta de planejamento por fazer uma associação a uma falta de determinação, e essa falta de determinação a um medo de me frustrar. Já imaginou planejar sua vida interinha, do emprego ao nome do cachorro, do dia do casamento ao lugar em que vai ser enterrado, da casa e os móveis ao biofísico do marido e filhos, tudo com uma data prévia para se realizar e simplesmente NADA disso acontecer? Ao mesmo tempo, não ter perspectivas de futuro é tão vazio e também faz a determinação ir por aágua a baixo. É qualquer coisa do tipo "eu vou me matar de estudar para quê? Nem sei se vou acordar viva amanhã!" Tenho a impressão de que vivo esperando por um príncipe num Audi A8 me salvar e transformar minha vida num paraíso, sem ter que me preocupar com estudos, emprego, carreira. Vivo em uma constante alternância entre planejar toda a minha vida e não pensar no amanhã. E estou pirando de vez. Qual é o mais sensato: ter objetivos, metas, planos, plantar hoje e colher amanhã ou viver como se o hoje fosse o último dia da vida? E levando em consideração que o mais sensato tavez não seja o mais saudável? O que fazer, ou não fazer? Será que uma pessoa nasce predestinada a alguma coisa e, não importa o que faça durante a vida, ela vai chegar sempre ao mesmo final? Metaforizando um pouco, uma pessoa ao pegar um trem aleatório (ou avião, caso seja mais sofisticado) acabará sempre no mesmo local de destino? Ou seria diferente se ela tivesse planejado aquela viagem?