Não acredite em nada do que ler.

É tudo não-verdade, mas nada é mentira.

Criancinhas, vamos falar novamente acerca da crucial importância do discernimento do que é vida e do que é literatura. Essa página na internet não foi criada com o intuito de se tornar um diário virtual, mas sim para ser um espaço em que posso divulgar meus textos. Sendo assim, os pensamentos e fatos aqui descritos não são reais, embora muitas vezes baseados em vivências da personificação da precocidade aqui.

Estamos devidamente entendidos? Então fique a vontade e prossiga por esses Cacos Avulsos.

Lado B

Se esses Cacos ficarem enfadonhos, vá ao Lado B.

sábado, 12 de dezembro de 2009

A palavra da vez: frustração

Frsutração s.f. Estado do indivíduo que, por não ter satisfeito um desejo ou tendência fundamental, se sente recalcado.

Falta um mês para o meu aniversário de dezoito anos. Eu tinha planos: concluir o ensino médio, passar no Vestibular, fazer Ciências Socioambientais na UFMG ou Bacharelado em Humanidades na UFVJM, mas isso só para o segundo semestre, porque no primeiro eu ia viajar. Ia fazer um mochilão até o sul do país, ou em Minas Gerais mesmo.
Meus planos modificaram-se um pouco devido ao curso que faço: primeiro semestre de 2010 sinônimo de estágio, mas antes Festival de Cinema em Tiradentes. Mas o segundo semestre intacto.
É, falta um mês para o meu aniversário, conclui o ensino médio, não passei na UFMG, e a prova da outra universidade é amanhã. Nada de festival de cinema, não vou viajar no segundo semestre porque cursinho pré-vestibular me espera, e o melhor de todos: acabo de perceber que eu sequer tenho carteira de trabalho.

Sensação de impotência dos infernos, de estar seguindo a minha vida sem controlá-la, sem fazer o que eu quero. Meus planos foram por água a baixo e eu não faço ideia do que farei ano que vem. Ano que vem! Não sei o que farei daqui a menos de um mês...
F-R-U-S-T-R-A-Ç-Ã-O

domingo, 29 de novembro de 2009

Bem mais do que eu imaginei e bem mais do que eu gostaria de admitir, estou ansiosa e com medo para @#$%#@&$! O motivo? VESTIBULAR.
O jeito é fazer como o rapazinho disse: atacar a prova, e não deixar que ela me ataque. Ai deus...
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Não que várias pessoas leem o blog, mas sinto que devo um mínimo de satisfação. Ando afastada por falta de tempo, pessoas. Correria sem fim. Mas juro que daqui a pouco volto.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Ihhh, fiz xixi no banho...

A S.O.S Mata Atlântica criou a campanha "Xixi no banho que, assim como o nome indica, consiste em orientar a população brasileira a fazer xixi enquanto se está tomando banho para diminuir a quantidade de água gasta desnecessariamente com descargas.
A ideia é até interessante, uma vez que cada descarga utiliza 12L de água e, se cada brasileiro deixasse de dar uma descarga por dia, seriam economizados 4.380 mil litros de água por ano. O site foi muito bem elaborado, assim como a propaganda televisiva, já que ambos atraem a atenção de adultos e principalmente das crianças (oi, futuro!). Tudo bem, mudanças vem devagar, e 12L por dia já é um início e tanto, principalmente se levar em consideração que a água usada na descarga é a mesma das torneiras, ou seja, ela também é clorada e fluoretada, o que dá um gasto financeiro danado.
video
Entretanto, pelo menos na minha casa, se alguém urinar no boxe, minha mãe -que lava o banheiro- mata o infeliz e aii dele se disser que viu na propaganda para fazer isso. Convenhamos, xixi não tem um odor agradável, e que nojiinho pisar nele, né? A SOS diz que a ideia de fazer xixi no banho é justamente porque a água do chuveiro vai lavar a região, mas não boto muita fé e é bem capaz de a minha mãe mandar eu limpar com a língua.
Sendo assim, a fim de tentar colaborar com a economia de água mas me manter viva, não dou descarga quando faço xixi. Antes que pensem "ecaaa, nojinho disso também", explico: tomo galões de água por dia, então a urina tem uma coloração bem fraquinha, além de ter cheiro praticamente nulo (dá-lhe pinhosol). Mas calma, rebeci uma ótima educação, somente faço isso na minha casa; na casa de amigos ou em ambientes de uso coletivo dou a descarga direitinho hein. E outra coisa, a primeira urina do dia tem que ir por água a baixo, pois ela é mais "forte" que a do restante do dia, e quando estou naqueeeeles dias nenhum xixi escapa.
Então se você não quer fazer xixi no banho ou não gostou muito da minha ideia e ainda assim quer se juntar a população minimamente conscientizada e sensibilizada quanto aos impactos ambientais não se desespere, há alternativas. Por exemplo, algo bem banal e prático é só fechar um pouco o registro da descarga (geralmente fica logo acima do vaso) ou trocar o vaso sanitário por um daqueles que tem uma espécie de caixa d'água na parte de trás. Há ainda métodos para captar a água da chuva e utilizá-la nas descargas, porém isso demanda um pouco mais de dinheiro e funciona mais em casas do que em edifícios.
Colaborar com a preservação do meio ambiente é obrigação de todos, pois o mundo não é nosso. Utilizar os recursos naturais é inalienável a sociedade contemporânea, porém não é preciso acabar com todo o mundo para satisfazer desejos supérfluos. Fazer xixi no banho, não dar descarga e trocar o vaso são ações pequenas mas que têm consequências benéficas. Dessa forma, não é necessário ser um ambientalista extremo, basta fazer a sua parte, por menor que seja. E VAI PLANEEETA!

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Para quem não sabe, faço mais da vida além de ter um namoradinho diferente por mês e vir aqui no blog chorar as pitangas quando dá errado, hehe.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Sabe aqueles dias em que somente se quer colocar uma boa música para tocar e dormir embalado por aquele ritmo? Hoje minha vontade é essa. Aliás, desde que minhas horas de sono caíram de 8h horas e meia para 6h meu anseio constante é me encontrar com o travesseiro. Estou cansada, mundo, me dê um tempo para descansar.

Música que não sai da cabeça. [Acho que dispensa explicações, não?]
Chico Buarque-
Geni e o Zepelim


De tudo que é nego torto
Do mangue e do cais do porto
Ela já foi namorada
O seu corpo é dos errantes
Dos cegos, dos retirantes
É de quem não tem mais nada
Dá-se assim desde menina
Na garagem, na cantina
Atrás do tanque, no mato
É a rainha dos detentos
Das loucas, dos lazarentos
Dos moleques do internato
E também vai amiúde
Co'os velhinhos sem saúde
E as viúvas sem porvir
Ela é um poço de bondade
E é por isso que a cidade
Vive sempre a repetir
Joga pedra na Geni
Joga pedra na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Um dia surgiu, brilhante
Entre as nuvens, flutuante
Um enorme zepelim
Pairou sobre os edifícios
Abriu dois mil orifícios
Com dois mil canhões assim
A cidade apavorada
Se quedou paralisada
Pronta pra virar geleia
Mas do zepelim gigante
Desceu o seu comandante
Dizendo - Mudei de ideia
- Quando vi nesta cidade
- Tanto horror e iniquidade
- Resolvi tudo explodir
- Mas posso evitar o drama
- Se aquela formosa dama
- Esta noite me servir

Essa dama era Geni
Mas não pode ser Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni

Mas de fato, logo ela
Tão coitada e tão singela
Cativara o forasteiro
O guerreiro tão vistoso
Tão temido e poderoso
Era dela, prisioneiro
Acontece que a donzela*
- e isso era segredo dela
Também tinha seus caprichos
E a deitar com homem tão nobre
Tão cheirando a brilho e a cobre
Preferia amar com os bichos
Ao ouvir tal heresia
A cidade em romaria
Foi beijar a sua mão
O prefeito de joelhos
O bispo de olhos vermelhos
E o banqueiro com um milhão
Vai com ele, vai Geni
Vai com ele, vai Geni
Você pode nos salvar
Você vai nos redimir
Você dá pra qualquer um
Bendita Geni

Foram tantos os pedidos
Tão sinceros, tão sentidos
Que ela dominou seu asco
Nessa noite lancinante
Entregou-se a tal amante
Como quem dá-se ao carrasco
Ele fez tanta sujeira
Lambuzou-se a noite inteira
Até ficar saciado
E nem bem amanhecia
Partiu numa nuvem fria
Com seu zepelim prateado
Num suspiro aliviado
Ela se virou de lado
E tentou até sorrir
Mas logo raiou o dia
E a cidade em cantoria
Não deixou ela dormir
Joga pedra na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Ela dá pra qualquer um
Maldita Geni


*Donzela= mulher virgem

domingo, 19 de julho de 2009

O futuro é meu enquanto eu viver ¹


Muito prazer, eu sou você amanhã, só não me apresentei antes por medo de te desmotivar. ²

Nunca fui muito do tipo de pessoa que pensa sobre um futuro a longo prazo. Não sei onde estarei daqui a dez anos nem planejo saber. Não penso em como serei, quais serão as minhas manias, se vou ser (continuar, na verdade) gorda ou magra, ou no que vou trabalhar.
Até hoje, alguns dias antes de completar meus dezessete anos (viva a mocidade), não queria pensar nisso. Preferia ir para outros assuntos que não o Futuro. Pensava até que talvez nem passasse dos dezoitos anos. Porém, começa a me incomodar essa falta de planejamento por fazer uma associação a uma falta de determinação, e essa falta de determinação a um medo de me frustrar.
Já imaginou planejar sua vida interinha, do emprego ao nome do cachorro, do dia do casamento ao lugar em que vai ser enterrado, da casa e os móveis ao biofísico do marido e filhos, tudo com uma data prévia para se realizar e simplesmente NADA disso acontecer?
Ao mesmo tempo, não ter perspectivas de futuro é tão vazio e também faz a determinação ir por aágua a baixo. É qualquer coisa do tipo "eu vou me matar de estudar para quê? Nem sei se vou acordar viva amanhã!"
Tenho a impressão de que vivo esperando por um príncipe num Audi A8 me salvar e transformar minha vida num paraíso, sem ter que me preocupar com estudos, emprego, carreira.
Vivo em uma constante alternância entre planejar toda a minha vida e não pensar no amanhã. E estou pirando de vez.
Qual é o mais sensato: ter objetivos, metas, planos, plantar hoje e colher amanhã ou viver como se o hoje fosse o último dia da vida? E levando em consideração que o mais sensato tavez não seja o mais saudável? O que fazer, ou não fazer?
Será que uma pessoa nasce predestinada a alguma coisa e, não importa o que faça durante a vida, ela vai chegar sempre ao mesmo final? Metaforizando um pouco, uma pessoa ao pegar um trem aleatório (ou avião, caso seja mais sofisticado) acabará sempre no mesmo local de destino? Ou seria diferente se ela tivesse planejado aquela viagem?


¹ Clarice Lispector
² Móveis Coloniais de Acaju